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História do Palmeiras

O Palmeiras apoiou a ditadura militar? O que a história registra sobre o clube entre 1964 e 1985

Não há documento conhecido que ligue o Palmeiras como instituição ao regime; um portal de memória afirma que dirigentes dos quatro grandes paulistas participaram da conspiração de 1964, sem citar nomes, e o clube representou a Seleção em evento oficial de 1965

Por Publicado em Atualizado em 5 min de leitura
Ademir da Guia, ídolo do Palmeiras, na Seleção Brasileira em 1974, durante a ditadura militar
Ademir da Guia, do Palmeiras, em treino da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental. Foto: Rob Mieremet / Anefo / Wikimedia Commons (CC0)

Ademir da Guia, do Palmeiras, em treino da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental. Foto: Rob Mieremet / Anefo / Wikimedia Commons (CC0)

Não há registro documental conhecido de que o Palmeiras, como instituição, tenha apoiado ou colaborado formalmente com a ditadura militar que governou o Brasil de 1964 a 1985. O que existe são afirmações genéricas sobre dirigentes dos grandes clubes paulistas na época do golpe, sem nomes nem documentos citados. O próprio historiador palmeirense João Manuel Casquinha Malaia Santos, que estuda futebol e ditadura, escreveu em 2021 que ainda não tinha encontrado registros específicos de colaboração do clube com o regime, embora acredite que eles existam. Ao mesmo tempo, como todos os grandes clubes do país, o Palmeiras viveu o período sem confronto com o governo e chegou a representar a Seleção num evento oficial em 1965.

O que se diz sobre o Palmeiras e o golpe de 1964?

O portal Memórias da Ditadura afirma que dirigentes de quatro clubes paulistas, Portuguesa, Palmeiras, São Paulo e Corinthians, “estiveram envolvidos na conspiração” que derrubou o presidente João Goulart, em 1964. O texto não cita nomes de dirigentes nem a fonte da informação. O Radar Palestrino não encontrou documento que confirme a participação de nenhum dirigente do Palmeiras.

Na semana do golpe, o futebol seguiu normalmente. Um artigo de Malaia Santos publicado em 2024 na Revista Brasileira de História registra que Palmeiras e Vasco jogaram pelo Torneio Rio-São Paulo no Pacaembu, dias depois da tomada do poder, e usa o caso como exemplo da “normalidade” mantida no futebol.

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Marcha da Família com Deus pela Liberdade em São Paulo, 1964
Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo, em março de 1964, poucos dias antes do golpe militar. Foto: autor desconhecido / domínio público (Wikimedia Commons)

Por que o Palmeiras jogou pela Seleção em 1965?

Em 7 de setembro de 1965, um ano e meio depois do golpe, o Palmeiras representou a Seleção Brasileira na inauguração do Estádio Magalhães Pinto, o Mineirão, em Belo Horizonte. Segundo o site oficial do clube, a antiga CBD convidou o time inteiro, do técnico Filpo Núñez ao massagista, por ser a melhor equipe do país naquele momento. De camisa amarela, o Palmeiras venceu o Uruguai por 3 a 0, com gols de Rinaldo, Tupãzinho e Germano.

O jogo foi um evento oficial do futebol brasileiro já sob o regime militar, num estádio construído pelo governo de Minas Gerais. O artigo de 2024 registra a participação do Palmeiras ao tratar dos estádios construídos no período. Não há registro de que o convite tenha relação com posições políticas do clube.

Como foi o Palmeiras dentro de campo durante a ditadura?

Foi um dos períodos mais vitoriosos da história alviverde. Pela contagem oficial unificada pela CBF, o Palmeiras conquistou cinco títulos brasileiros entre 1967 e 1973: a Taça Brasil e o Robertão de 1967, o Robertão de 1969 e os Brasileiros de 1972 e 1973, com a Segunda Academia. Na Copa do Mundo de 1974, seis palmeirenses foram convocados: Leão, Luís Pereira, Alfredo Mostarda, Leivinha, Ademir da Guia e César, segundo o clube. Foi a Copa com mais jogadores do Palmeiras na história. Veja a história da Primeira Academia.

O Palmeiras já tinha sido atingido por outra ditadura?

Sim, mas de outro jeito. Em 1942, durante o Estado Novo de Getúlio Vargas, o Brasil entrou na Segunda Guerra contra a Itália, e o clube, fundado por imigrantes italianos como Palestra Italia, foi obrigado a mudar de nome. Assim nasceu o Palmeiras, na chamada Arrancada Heroica. Veja como foi a troca de nome em 1942.

Por que o tema ainda gera polêmica?

Torcedores rivais costumam associar o Palmeiras ao fascismo, por causa da origem italiana. Pesquisadores lembram que o clube foi fundado em 1914, antes da ascensão de Mussolini, mas o próprio Malaia Santos escreveu que o Palestra Italia abriu as portas para reuniões do Partido Fascista no passado. Em fevereiro de 2026, uma publicação do estádio do clube com uma camisa com o nome “Benito” e o número 64, feita para o cantor Bad Bunny, foi associada a Mussolini e ao golpe de 1964; o Palmeiras disse ao UOL que não tinha relação com a postagem, segundo o Correio Braziliense.

Na arquibancada, também há o movimento oposto: grupos de torcedores do Palmeiras levaram faixas com os dizeres “Ditadura nunca mais” a atos na Avenida Paulista, registrados pelo site Ludopédio.

Fontes: site oficial do Palmeiras (Mineirão 1965; Palmeiras na Seleção); João Manuel Casquinha Malaia Santos, Revista Brasileira de História (2024) e Ludopédio (2021); portal Memórias da Ditadura; Correio Braziliense (17/2/2026).

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